La Nuova Gioventú

Faz um freelancer eventual; estuda para a prova do dia seguinte; faz o almoço e deixa congelado. Hoje não vai dar para sair com o namorado, tem prova amanhã. E a gente tem que fazer uma mágica com o dinheiro, tem que usar cupom de desconto, fazer aquele malabarismo, esperar a black friday, fazer feira e comprar o necessário. Não temos muita certeza do amanhã, a crise tá pesada e a universidade pública cada dia a sua vez.

Já conhecemos as músicas da greve. Vamos, meu amigo, lute! Lute contra os cortes da educação, estamos desmotivados, cansados intelectualmente. Cansados de correr contra a maré, o dia poderia ser mais lento e a água não tinha que correr para o mar. Ficamos postando várias vezes sobre como a universidade desgasta a mente dos alunos e como os professores estão percebendo a desmotivação deles.

Só que… Entre passar por isso, mesmo que por vezes se arrastando, e tentar uma forma  alternativa… O medo coíbe. O medo nos trava e seguimos o fluxo. Por dias nos perguntamos se vale mesmo a pena. Será?

As pessoas mais velhas costumam dizer que temos mais oportunidades do que ‘no tempo deles’, e isso não deixa de ser verdade. Porém, é difícil comparar a qualidade de vida, é difícil ver se realmente estamos conseguindo questionar e mudar o rumo das coisas. Será que nossas lutas tem relevância para mudança social, ou só defendemos ideais por orgulho de nossas ideologias?

Questionadores. Pensativos. Inertes. Subversivos. Liberais. Conservadores. Somos tantos e ao mesmo tempo ninguém, não conseguimos unir ideais comuns (ou, conseguimos?). Vamos construindo nossa vida sem perceber o que estamos construindo. As disputas do mercado, precisamos ser melhores e cada vez mais bem preparados, o mundo não perdoa. E nós, será que conseguimos nos perdoar?

E talvez, seja o que mais precisamos: perdoar a nós mesmos. Perdoar nossas cobranças surreais de um mundo injusto, perdoar o não cumprimento de prazos, perdoar as crises, perdoar o fato que por vezes não vamos conseguir, perdoar as escolhas e também o fato de não fazê-las. Perdoa-me.

 

Advertisements

Posfácio #011 – O soldador Subquático

 

Em um dia de tédio, o que mais precisamos é de uma boa leitura. Confesso que inicialmente não era meu interesse ler esse HQ do Jeff Lemire, mas passei algumas páginas… Olhei a diagramação, vi os traços fortes e significativos, vamos dar uma chance.

“A maré está alta e o vento a estalar
Mas esse velho navio nunca irá afundar
Estamos em alto-mar, a dias do chão
Mas se estiver assustado é só pegar minha mão”

Confesso que foi uma boa leitura durante a espera na universidade, é um livro rápido e intrigante. Os traços te fazem mergulhar junto com o soldador, não só em alto mar mas no passado do personagem. A relação dele com pai, a infância e os conflitos atuais.

Nem sempre estamos dispostos a voltar no passado e resolver as coisas para estarmos bem no presente, porém o soldador é instigante justamente por isso: a audácia de querer enfrentar e resolver.

É importante estar atento aos detalhes, o motivo que os objetos foram colocados naquela ordem específica, e caminhar junto com Jack diante dos desafios propostos na trama.

O soldador subaquático
Jeff Lemire
Editora Mino
2016

O poder da fraqueza inevitável

“Se devo me orgulhar, que seja nas coisas que mostram a minha fraqueza”¹

Quero admitir que não é propício, eu tirar alguma glória do que ocorre comigo, das vezes que consegui fugir ou me libertaram, como da última que fui retirado em um cesto, ou como tenho sofrido por amar vocês. Na verdade, por um amor grande que ultrapassou meus limites e transborda em vocês.

Muitos se gloriam dos seus feitos maravilhosos, porém se tenho que falar de glória sobre algo que seja das minhas fraquezas e dificuldades em cuidar de vocês. Eu sinto as dores de vocês, e isso machuca por dentro. Porém isso, não deve me impedir de trazer boas novas de paz e contar sobre as revelações da verdade.

Houve um homem, que não sei bem ao certo, foi levado até o terceiro céu, ele ouviu palavras que não são possíveis de explicar ao homem e como seres falhos, não podemos pronunciá-las por sua grandeza. Quando ouço histórias como a desse homem, me glorio nele. Porém, em mim? Não, apenas sou fraco.

Não quero cometer a incoerência de me gloriar de algo que não sou, trabalho com a verdade e desta forma me apresento. Justamente para que não houvesse, da minha parte, orgulho dos meus feitos, recebi uma marca de dor e de lembrança de quem eu sou: fraco. E pedi três vezes para que fosse afastada de mim, essa dor que tanto incomoda e não me faz esquecer que sou apenas barro moldado.

Então, o Cristo me respondeu, dizendo que somente Ele e seu favor que de graça é oferecido iriam bastar em mim. Pois são nas minhas fraquezas e erros que não consigo evitar, lembro do perfeito que me sustenta diariamente. Este é o poder inevitável da fraqueza em nós: lembrar o que somos, para conhecermos a quem pertencemos.

[1] 2 Coríntios 11.30

Releitura dos Capítulos 11 e 12 da Segunda carta à Coríntios, escrita por Paulo de Tarso (apóstolo e discípulo do Cristo)