Posfácio #09 – Pra onde vai o amor?

Conhecia o trabalho do Carpinejar por tudo o que ele disponibiliza no blog, instagram e o programa A máquina, da tv Cultura. O programa não está mais no ar, porém algumas entrevistas se encontram no youtube. Hoje, por vezes, me deparei com ele comentando assuntos diversos  no programa da Fátima Bernardes, o que sempre me leva a questionar o que ele está fazendo ali… Deixando essas coisas de lado, vamos falar sobre o livro.

Uma reunião de crônicas, algumas já estão liberadas na coluna do ZeroHora. Porém, como elas foram posicionadas e escolhidas, sua ordem, fala muito sobre o título do livro. Ele traça um caminho sobre o amor. Pra o Carpinejar, o amor começa devoto, ele começa em devoção não só pelo outro alguém, mas também pelo que eu posso fazer por esse outro alguém, depois ele vai se apegando se acostumando se aninhando, tomando lugar, sendo um corpo só. Então vem as fases, tem dias que tem mais manias, tem dias que se estranha. Tem raiva das manias e sente falta das mesmas durante a ausência.

O livro não quer responder o destino do amor, ele quer mostrar que o amor vive em movimento, ele anda, se modifica, muda, continua, se torna adequado e se deixa ir. O amor nem sempre quer responder a si mesmo, quanto mais nos responder sobre o seu destino.

Depois irei falar sobre outros livros do Carpinejar, ele ficou com lugar cativo nas minhas leituras.

Pra onde vai o amor?
Fabrício Carpinejar
Editora Bertrand Brasil
2015

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Fonte: Segredo Entre Amigas

Posfácio #08 – Homens em tempos sombrios

Nota: Passei um bom tempo sem publicar “posfácios”, mas as leituras não pararam. Os livros lidos já foram listados e aos poucos, vou liberando os posts.

Paguei uma disciplina de psicologia na graduação, e no meio dos muitos debates que aconteceram durante o semestre. Tive a oportunidade de comentar sobre o termo “Banalidade do mal”, termo cunhado pela autora desse livro: Hannah Arendt.  Acho que nos outros posfácios não comentei sobre o autor da forma que irei fazer agora. Arendt, mulher judia, viveu a segunda guerra e por suas influência políticas e filosóficas cunhou alguns termos e estudou o totalitarismo e a condição humana sob os aspectos de violência.

Voltando à aula de psicologia, percebi que ainda não tinha lido nada da Arendt, compartilhei isso com um amigo e ele me emprestou o “Homens em tempos sombrios”. Esse livro é a reunião de discursos de Arendt, sobre homens ( e mulheres) que viveram no século XX: Hermann Broch, João XXIII, Rosa Luxemburgo, Jaspers, Isak Dinesen, Bertold Brecht, Heidegger e Walter Benjamin. Ela se debruçou na biografia dessas pessoas, comentando de forma pessoal, invadindo seus pensamentos, expressando sua opinião, e questionando suas teorias.

O livro é lotado de sentenças que nos levam a pensar inúmeras coisas: da liberdade até a prisão que nós mesmos nos colocamos, da coragem de travar lutas pelo conhecimento até a forma de burlar regrinhas sociais para chegar onde se quer.

“Certamente, a própria humanidade do homem perde sua vitalidade na medida em que ele se abstém de pensar e deposita sua confiança em velhas ou mesmo novas verdades” p. 18

Não sei ao certo o que me fez achegar tanto a esse livro, talvez a proximidade dos dilemas por ela apresentados. O livro em alguns momentos se torna cansativo, mergulhar profundamente em teorias e teorias, o que por alguma vezes me levou a ter que parar a leitura do livro e fazer uma busca paralela sobre determinado conceito e como isso ou aquilo decorreu.

“E nós que, na maioria, não somos nem poetas nem historiadores estamos familiarizados com a natureza desse processo, a partir de nossa própria experiência de vida, pois também nós temos a necessidade de rememorar os acontecimentos significativos em nossas vidas, relatando – os a nós mesmos e aos outros. Assim estamos constantemente preparando caminho para a “poesia”, no sentido mais amplo, como potencialidade humana; estamos constantemente à espera; por assim dizer, de que ela irrompa em algum ser humano”

Homens em Tempos Sombrios
Hannah Arendt
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Posfácio #07 – Mensagem

Antes conhecia de ouvir falar e agora mais de perto… Fernando Pessoa. Esse livro é a reunião de alguns poemas direcionados a alguns governantes de Portugal. O livro é dividido em partes que simbolizam os castelos, os reis da época, os brasões.

Fernando Pessoa deixa muito claro a intervenção divina para o reinado e como os reis se mostravam solícitos ao que Deus determinara, também é nítido o poder do mar. Muitos poemas falam sobre a bravura de vencer o desconhecido, enfrentar o mar, vencer, a coragem, estar disposto e  ser humano o suficiente para ir.

“Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.” (Prece, página 69)

É se enxergar excessivamente humano no meio dos poemas de Fernando Pessoa, é ver a pequenez diante do mar e diante do Divino e saber que nada posso fazer, mesmo em meio a minha bravura e astúcia de ir adiante e seguir, de lutar e vencer e ser admirado por tais feitos. Mesmo assim, ainda pequeno demais, humano demais.

“Todo começo é involuntário.
Deus é o agente.
O heroi a si assiste, vário
E inconsciente.

À espada em tuas mãos achada
Teu olhar desce.
“Que farei eu com esta espada?”

Ergueste-a, e fez-se.” (O conde D. Henrique, página 25)

Mensagem
Fernando Pessoa
Editora Abril, 2010

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