O poder da fraqueza inevitável

“Se devo me orgulhar, que seja nas coisas que mostram a minha fraqueza”¹

Quero admitir que não é propício, eu tirar alguma glória do que ocorre comigo, das vezes que consegui fugir ou me libertaram, como da última que fui retirado em um cesto, ou como tenho sofrido por amar vocês. Na verdade, por um amor grande que ultrapassou meus limites e transborda em vocês.

Muitos se gloriam dos seus feitos maravilhosos, porém se tenho que falar de glória sobre algo que seja das minhas fraquezas e dificuldades em cuidar de vocês. Eu sinto as dores de vocês, e isso machuca por dentro. Porém isso, não deve me impedir de trazer boas novas de paz e contar sobre as revelações da verdade.

Houve um homem, que não sei bem ao certo, foi levado até o terceiro céu, ele ouviu palavras que não são possíveis de explicar ao homem e como seres falhos, não podemos pronunciá-las por sua grandeza. Quando ouço histórias como a desse homem, me glorio nele. Porém, em mim? Não, apenas sou fraco.

Não quero cometer a incoerência de me gloriar de algo que não sou, trabalho com a verdade e desta forma me apresento. Justamente para que não houvesse, da minha parte, orgulho dos meus feitos, recebi uma marca de dor e de lembrança de quem eu sou: fraco. E pedi três vezes para que fosse afastada de mim, essa dor que tanto incomoda e não me faz esquecer que sou apenas barro moldado.

Então, o Cristo me respondeu, dizendo que somente Ele e seu favor que de graça é oferecido iriam bastar em mim. Pois são nas minhas fraquezas e erros que não consigo evitar, lembro do perfeito que me sustenta diariamente. Este é o poder inevitável da fraqueza em nós: lembrar o que somos, para conhecermos a quem pertencemos.

[1] 2 Coríntios 11.30

Releitura dos Capítulos 11 e 12 da Segunda carta à Coríntios, escrita por Paulo de Tarso (apóstolo e discípulo do Cristo)

Carta de amor em Recife

Quando o meu olhar encontrou o teu
Seja Rua da Moeda, seja padaria
Seja cinema fechado, seja Amoretto
[o-amor-é-teu

Quando minha mão tocou a tua
Foi confiança de atravessar a rua
Foi antigo, presente e futuro que sussurra

Quando minha cabeça recostou teu ombro
Seja Derby, seja Rua da Hora
Seja Boa Vista, Seja Soledade

Quando nossos braços se acomodaram
Seja Malakof café, seja Torre Malakof
Seja sofá de sala, seja mar de nós dois

Quando meus lábios encostaram nos seus
Seja ventania de mar, seja banco de praça
Seja Boa viagem, seja noite em mim

Quando o abraço me escondeu
Seja o Arsenal de mim
Seja Marco zero que sorri

Quando a eternidade se estabeleceu
Seja Madalena, Seja Graças
Seja chuva, seja almoço

Quando somos casa do outro
Seja Forte, Seja Amarela
Seja dois, seja somente um

 

Poeminha de domingo

I

Dominguei você
Seu risinho safo

Olhos de chinês, me disseram:
– Veja, o domingo está posto na mesa!
Ah, sim! A mesa de domingo…
Que vontade de você, domingo

Mesa cheia, mesa farta
Gente na mesa, pratos conversando
Talhares ta-ta-lha-lha-tlá-tlá
Copos, distantes da mesa
Perto da mesa, copos

II

Domingo de você
Minha saudade de futuro

Olhos redondos, me disseram:
– Silêncio, o domingo foi embora
Ah, domingo… Não se vá
Que saudade de você, domingo

Mesa vazia, mesa falta
Deixe a mesa, os pratos calados
Talheres, ó, não há
Copos, distantes da mesa
Perto da mesa, mosca

III

Domingará, você
Amanhece em mim

Olhos serenos, me disseram:
– Faça o seu domingo, hoje, mais uma vez
Ah, domingo…te chamei pra perto
Vem ser família, domingo

Vou montar mesa, mesa nova
Os pratos vão aprender a falar
Talheres tagarelas (virá)
Copos vem à mesa
Cada vez mais perto

(estamos)