A grandeza do belo

Eu acabei de tomar banho e isso é comum. Talvez, um fato um pouco pessoal, geralmente não se diz que vai tomar banho em textos públicos ou algo do tipo. Enquanto a água fria caia sobre mim, e sobre como eu estava sem barreiras ali dentro, como o meu corpo se encontrava sendo meu e minha fisiologia me afirmando ser mulher, estava plena diante do comum.

Para algumas mulheres, há todo um processo de aceitação do corpo, seja por ser demasiadamente magra ou por ser gorda (e nenhuma dessas duas palavras grifadas não deveriam ferir ninguém). Na última viagem que fiz, tive que dividir o local do banho com outras mulheres e eu simplesmente não lembrava qual tinha sido a última vez que isso tinha ocorrido.

Quando crianças, não nos importamos com nada em relação a essas coisas: somos iguais. Não temos mamas desenvolvidas, nem pernas muito grossas, não precisamos depilar aqui ou ali. Quando adultos, isso muda. Passamos a comparar nossos corpos, a nos olhar diante de padrões que não são muito acessíveis.

No momento de dividir o banho com alguém tive que olhar pra mim, ver se eu estava confortável com meu próprio corpo para deixar ele desnudo na frente de outrem. Não era o corpo da outra mulher que me coibia, mas a minha aceitação comigo mesma. Surpresa estava comigo, por tais pensamentos, mesmo gostando muito da casa que minha alma tem, percebi que ainda enxergava consertos e reformas que deveriam ser feitas (aparentemente).

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Minhas estrias que desenham e percorrem minhas coxas e glúteos, a baixa estatura, as manchas remanescentes de alergias, as mamas pequenas, os cortes de depilação que ocorrem na pressa do dia a dia, um cabelo branco perdido… Meu cabelo que “tá legal” mas tem dia que não.

Há uns minutos atrás, estava com a porta fechada do banheiro, não tinha mais ninguém. Olhei o meu corpo, olhei como a água percorria minha pele, e percebi que diferente de casas de alvenaria, esta casa já veio pronta e somente basta zelar. O corpo não precisa ser justificado diante de como o Criador o fez. Esse fato já o torna belo, simplesmente belo diante do que a vida lhe proporcionou: ser casa do próprio Criador.

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