O caminho de Damasco

“E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu” Livro de Atos dos Apóstolos, cap. 9 vs. 3

Como diria Miró da Muribeca “Janela de ônibus é danado para botar a gente para pensar”, perceber o verde das árvores se tornando mancha verde pela velocidade, o balanço do carro, o vento pela janela ou o frio do ar condicionado. Na solidão do meu eu, ali em silêncio, pensando na minha vida e na vida dos outros, revendo os meus conceitos, diferenciando mentalmente solitude e de solidão. A vida passando pelos olhos e ao mesmo tempo retumbando por dentro.

Na narrativa bíblica, o jovem Saulo, depois de ter perseguido cristãos, arrastado e levado à prisão mulheres e homens que seguiam o Senhor, segue seu caminho e se depara no meio da viagem próximo de Damasco com uma Luz. Luz que o levará a refletir os seus caminhos e o motivo de seus atos, leva Saulo a mudar tudo que ele tem feito até aquele momento.

Permitam-me a liberdade para devanear sobre o texto, sem muito compromisso. A questão que fica durante essa narrativa é: Seria o caminho de Damasco que encontrou Saulo ou Saulo que encontrou o caminho? Por mais que essa dúvida seja simples ou não apresente muita relevância inicialmente, o “quem-encontra-quem” nos leva a refletir.

Saulo seguiu para Damasco com a intenção de prender outros seguidores e o caminho vem e o surpreende. Ele esperava do caminho outra coisa, esperava o óbvio, o seu desejo, queria suas vontades. O caminho não esperava nada dele, esperava somente ele aparecer, o caminho para Damasco era um caminho para Damasco. Imagine quantas vezes Saulo teria passado por ali e nada tinha acontecido, até o momento que o caminho quis o encontrar.

Até o momento que o caminho quis nos encontrar… A vida e seus caminhos não tem esperado nada de nós e nós que colocamos tanta expectativa no futuro e nos rumos que se seguirão. E de mesma maneira, não sabemos quando os caminhos de Damasco nos escolherão para que possamos parar e refletir o que temos feito até ali, o motivo do que temos buscado e lutado. Até o caminho de Damasco nos encontrar e nos colocar diante de nós mesmos, nos apresentar um espelho que quebra por dentro e expõe as nossas verdadeiras intenções.

“O caminho muda, e muda o caminhante
É um caminho incerto, não um caminho errado
Eu, caminhante, quero o trajeto terminado
Mas, no caminho, mais importa o durante”
Estevão Queiroga
(A dica de um bom amigo, depois de ler o texto)

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