Epiderme

Retiraram a pele do que cobria o seu corpo, arrancaram a proteção. Você andava nua pelas ruas, sem saber para onde ir. 

Eu estava sentada na praça, olhando as pessoas, observando os meninos que brincavam na água da fonte, o rosto negro que sorria no meio da água. Os grandes prédios guardavam o sol, enquanto as luzes surgiam. Os faróis passavam rápido demais, quase não lia as direções dos ônibus, quase não lia muita coisa.

O medo de ser assaltada me fez andar, você que não chegava, o relógio que não corria. Então, escutei teus gritos, ouvia teu choro. Meus braços não conseguem te guardar: você está nua.

Teus segredos mais profundos, a mim foram revelados. Teu corpo se mostrou da forma que eu não quis ver, sua pele caiu, tua carne crua gritava por proteção. Quem poderia te guardar, depois de tamanha exposição?

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