Vinho velho

Ofegante.

A rua estava escura, era uma luz amarela falha do lado de fora das casas dos vivos e dentro da casa que pertence a lua. As mãos que cheiravam, o olfato que sentia. O corpo. O perfume que envolvia e o batom cor velha, degastado, usado, distante dos lábios. Olho de peixe, vivo e atento, e o pulso.

Alívio.

Era a solidão, o silêncio, o frio e o vento. Era o artigo definido no singular, o fato de não ter mais ninguém. Era o cigarro, a fumaça, a distância.

Ar.

Plural. Dois cigarros, dois copos, dois lábios. O vinho que dançava no vidro, sem distância da mão.Um sorriso em demasia, um lábio de céu. Olho fechado,calmo e desguardado, e o pulso.

 

 

 

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