Mancharam o nome do meu Senhor

A correria do dia a dia, as pessoas passam, as pessoas se empurram e não pedem desculpas. Por entre essas vielas e avenidas, andava um corção sufocado sobre tudo que lhe acontecia, tinha um clamor, um grito de necessidade, precisava ser saciado. Era uma falta, uma angústia. Talvez, os dois átrios e os dois ventrículos não se tornassem capazes de suprir tamanha agonia. Era muita muita epifarina para um só orgão.

Sístole.
Diástole.

Olhou o relógio, viu que não adiantava mais nada, não havia mais horários há serem cumpridos.De repente, veio um sino, o retumbar que marcava o fim da tarde em horário exato, era um Igreja que anunciava – neste instante, soava a sua infância do interior onde as igrejas marcavam as horas e as chaleiras identificavam os fins das ave marias e pai nosso – suas mãos passaram novamente pelo relógio. Que mal haveria em entrar em uma igreja?

Imagem

Ao se aproximar da estrutura, suas grandes torres lebravam-lhe do tamanho da santidade que ali era pregada. Alguns degraus, e o som das orações, o choro de poucos se fazia audível… O barulho rastejava no chão, aparentemente as pisadas daquele que entrara trouxesse mais peso aos outros corações que se encontravam ali. Foi até um dos bancos, se ajoelhou, a respiração funda soava no vento frio que circulava o lugar. Tentou falar com Deus, mas ao dirigir seus olhos para a porta, viu uma inscrição acima dela.

“Imago Dei”

Essa, que no latim traz um significado muito maior do que simplesmente ‘imagem de Deus’ traz unido a si, a obediência a trindade cristã. Ao reflexo do comportamento do Cristo, do justo que se tornou histórico e transcendental. Da consciência do pai, que colocou seu coração no meio na misério do povo. Do espírito, não distante das pessoas, desceu e fez morada.

Olhou novamente ao redor, e lembrou dos loucos que se diziam sábios por teologar em microfones. Viu os agariavam o que os pobres tinham, para satisfazer os seus. O fato do lugar sagrado ter se tornado empresa s.a.. As ignorâncias que um povo carente recebia, ditas por homens que se diziam do Sagrado. As pautas levantadas em defesa e direito de um nicho e não por toda uma população carente não só de fé, mas também de justiça e igualdade.

Atordoado ainda mais, fechou as pálpebras com dificuldade e da sua boca somente saiu:

“Perdoai os nossos pecados. Amém”

Se levantou, saiu. Não olhou para trás, andou reto como quem tem certeza de não voltar aquele lugar. Justo desta maneira, deixou de notar o sacerdote que ao lado daqueles degraus, alimentava um oprimido pela sociedade.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s