Árvore dos Vícios

Há pessoas que parecem morcegos, só saem quando está de noite. Quando a cidade é convidativva e o céu parece ficar mais baixo para encontrá-las.

Aquilo que foge ao normal do dia a dia, surge. É compreensível o porquê delas saírem só a noite. A cidade fica mais… E as luzes artificiais até desviam os olhares julgadores. CARPE DIEM, pensam os mortais: Agora que a vida já é noite, que a liberdade embebede a alma.budapest-ruin-pubs_large

As poucas árvores que se espalham pelo urbano, disputam altura com as torres de babel espalhadas nas ruas. É comum encontrá-las perto de um bar, e perto da boemia existe uma árvore que cobre como garras, a frente do recinto. Protege os frequentadores.

“…a vaidade excita” ¹

Cantava o violão, com olhos baixos e fundos. As mãos se misturam com as cordas. Por um instante a voz e o violão eram o mesmo ser. Os frequentadores já tomavam a casa, as janelas abertas e a ávore mantinha o que a maioria tinha dentro de si: os vícios. Ela guardava o escuro, permitia a música e não se importava com a psicodelia.

Uns chegavam, outros saiam. De noite os rejeitados eram aceitos. Na manhã seguinte só restava os jonnie walker, hollywood e pó. E as almas?
[Estavam preenchidas até a lua imperar.

Os frequentadores de olhos fundos acordam, trabalham e vivem. Dia após dia, semanas e semanas. E nas noites? Os copos cobriam os olhares cheios de anseios.

Foram tantos desejos, anseios explícitos, o prazer gritava, as pessoas se encontravam. A madrugada dançava durante as músicas entoadas.

***

As raízes ficaram firmes, as garras estavam querendo eletricidade. Os vícios a alimentaram demais, pobre árvore…
Nada mais provavél que acontecer numa segunda-feira, pela manhã. O bar fechado, os olhos fundos indo aos escritórios. A companhia elétrica enxergou o perigo, depois de alguns minutos começou. Galhos caíram, garrafas quebraram. Cortaram-na perto da raiz, estava danificando o calçamento.

Na mesma noite, o bar acendeu as luzes, abriu as janelas e colocou as mesas. O copo não embebedou facilmente. A boemia estava sem segurança para se libertar, houve evasão: dos dançarinos, dos psicodélicos, dos bêbados.

O violão continuava a cantar, para um dos que estiveram no mesmo local pela manhã. ” …Devolva a minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel” ². E pensava consigo, onde estaria a raiz que vai ceder os vícios aos mesmos.

¹,²  Não existe amor em SP – Criolo

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